Temos promovido alguns debates interessantes no canal do Whats BDSM-CE e um dos tópicos abertos é sobre Ética nos Relacionamentos BDSM.

Eu  considero um tópico muito importante. Penso que depois de aprender as técnicas para práticas de risco, ou melhor dizendo, já que todas as práticas oferecem algum risco,  depois de aprender as técnicas para as práticas que você aprecia, o que você precisa mesmo é aprender sobre ética nos relacionamentos.

Vejo andar por aí milhões de textos com definições e rótulos para tudo que nos envolve. Dia desses um definia de A a Z o que PENSA uma submissa. Como se pessoas fossem mesmo tão previsíveis, não?! Pode até ser que estes textos agradem e realmente levem a compreensão do outro de alguma maneira. Mas, na minha humilde opinião,  para entender o outro bastam ouvidos de ouvir, olhos de ver e coração de sentir. O mais, é sempre perfumaria.

Mas voltando ao debate, me arrependo às vezes de alguma coisa que fiz. Vê-se por ai que não sou um poço de virtudes e por isso não me coloco em posição de julgar ninguém.

Ultimamente o que mais me perturba a consciência foi a vez que peguei a senha de um escravo no face. Eu sempre achei isso tolo. Detesto quando escravos que deram a senha para suas donas vêm falar comigo sem me dizer que sua dona lerá o que estamos conversando. Quer dizer, sem nem me avisar que existe uma dona, né?

É extremamente constrangedor.

E como já fui vítima dessa pegadinha algumas vezes,  tenho horror disso. Porque é me colocar em um jogo que eu não escolhi jogar.

Mas, vai daí… Havia um escravo que já tinha sido infiel uma vez. E, que m…, eu queria perdoar. Na verdade estava bastante interessada mas a quebra de confiança tinha deixado suas marcas e eu não conseguia aceitá-lo (mencionei algo sobre isso no post sobre perdão). Como último esforço o escravo ofereceu-me sua senha no face, de forma a provar que realmente não estava mais procurando ninguém. Aceitei num impulso mas acho, ainda hoje, que foi uma péssima ideia.

Vale lembrar, até para preservar-me alguma dignidade, que eu mandei que ele avisasse imediatamente em seu perfil que estava sendo monitorado.

Então tudo bem, né?  Mentira.  Um dia lá, oww God!, confesso mesmo que envergonhada: sentei para ler suas histórias. E, ah, como eu não devia ter feito isso!  Primeiro que foi invadir a privacidade de outras dommes, né? (Mas não me processem, por amor! Juro que não lembro nem o que comi hoje! Jamais vou lembrar do que li!)

E não é uma m… só por isso. Mas é também você ter que descobrir que não é única como pensava. Você acaba encontrando 5 mil pedidos de perdão, e “euteamo”??? God, todas as últimas 50 dommes…

É um risco enorme, vá!!

E depois você fica odiando o sujeito por meses, anos…

Não que a ignorância seja melhor mas pelo menos você vai descobrindo aos poucos, sem susto. Dá uma chance ao desgraçadinho de provar que…bem, que você é a última “única” que ele vai amar. Há essa possibilidade, né? Sempre há.

Não custa dar o tempo.

Brincadeira.  A verdade que pegar senhas é invasivo. Não pelo fofo (aliás, foda-se o fofo!) mas por ser invasivo a outras pessoas. Porque depois que o deixei ainda fiquei pensando que a próxima “única” também leria minha intimidade, da mesma forma que eu e que outras tantas fizeram.

Mas era tarde demais para qualquer coisa…

: /

Por isso mesmo que não vale a pena. Desconfie do sujeito que lhe prometer isso. Porque todos ficam expostos. É como se ele estivesse distribuindo um vírus que vai pegando todo mundo que passa por ele. Ele vai abrindo cada vez mais o circulo e você está cada vez mais exposta.

Por outro lado, já vi dommes que exigem até senha de banco. E essa vai para você, submisso: cuidado! Acho que nenhuma senha é negociável.

Ou há confiança ou não há. Deixe de subterfúgios para não ficar como eu, remoendo para sempre  temas como privacidade, quebra de confiança e perdão.

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