Estou reescrevendo o texto sobre Slave Money e Servidão Financeira

Uma porque achei que está mal escrito , muito confuso e outra porque mudei um pouco o ponto de vista.

Sem perceber fiz o jogo de ajudar o blog e a resposta que recebi foi Slave Money.

Eu não sei se o Slave Money precisa disso mas no caso criaram um link comigo que é a confessada admiração que têm por mim. Eu precisei desse link. Precisei de uma justificativa para receber dinheiro. Mas vendi meus textos. Quer dizer, vendi um produto.

Acho que não incidem impostos mas preciso  anotar na minha contabilidade interior. Porque sou grata.  Dinheiro entrando na vida gente é benção.

O mais querido pergunta sempre se quero dinheiro.  Já se dispôs a pagar integralmente o texto que pediram sobre cuckold.  Estou escrevendo.

Por fim, tô achando gostosa a experiência. É muito legal ter esse poder sobre alguém.
De pessoas te admirarem apenas mesmo porque gostam do que você escreve. Poxa, é bacana demais.

Sobre Servidão Financeira é aquilo mesmo que eu já havia comentado. Precisa ser uma relação profunda, de muitos anos mesmo, onde haja extrema confiança. Em geral os casais D/s FemDom já vivem assim. O submisso não gasta sem permissão, por exemplo. Quem decide sobre as contas da casa é a Mulher. Ele trabalha e entrega seu salário integralmente a Esposa/Dona.

Geralmente tem o dinheiro da gasolina ou da condução. Não usa cartões de crédito nem cheques.

Por isso são relacionamentos onde já há muita confiança mesmo.

Roger hoje é assim. Ele não gasta à toa, sem falar comigo. O dinheiro é dele mas eu que mando. Primeiro EU!!

É isso. : )

O texto anterior.

Eu vejo que as pessoas fazem uma baita confusão com essas modalidades.
Vou tentar pontuar (sempre, não esqueçam, de acordo com o meu entendimento e minhas práticas)

Tenho um amigo muito querido com quem eventualmente brinco na internet e ele leu um post e perguntou surpreso: “poxa, você cobra, então eu tenho que te pagar”

Não. Ele não tem que me pagar porque é um bom amigo, porque conversamos sempre, porque é o tipo de submisso que faria qualquer coisa pra me ver bem, pra me dar prazer… E até porque é fofa demais essa preocupação dele.

Não é assim que funciona!! Vamos lá.

Primeiro acho que vale a leitura do post Falando Sério no blog do Nork onde ele muito bem definiu Slave Money até é legal porque é do ponto de vista do escravo.

Vamos lá. Slave Money para mim não seria propriamente uma prática BDSM. Eu entendo como uma prática fetichista. Válida. Mas fetichista.

Porque eu digo isso? Porque essa prática se coloca no mesmo nível da Key Holder (que controla a chave do cinto de castidade porque o parceiro gosta da sensação de estar preso no cinto) ou da S/O (onde apenas acompanhamos a feminização, ajudando a comprar roupas, ensinando maquiagem, etc…) Note que nesses casos não há uma relação D/s.

Não está a Key Holder realmente dando uma ordem, não é por ela a castidade. E o que ele gosta. Ele não está fazendo o que a ela dê prazer, ou atendendo a um desejo dela, mas sim a um desejo seu. Exclusivamente.

O sujeito quer pagar e ele diz exatamente o que quer que aconteça após ele pagar. Ele conduz a cena. Ele não está pagando porque adora aquela mulher, porque quer dar prazer a ela. Ele está de fato contratando um serviço pontual.

E na maioria das vezes não são dommes que atendem essas pessoas. Da mesma forma que uma Key Holder é só uma guardadora da chave e ela não precisa ser domme. A S/O também não precisa.

Claro que se ela tiver um conhecimento maior da prática, melhor, e umas pitadas de dominação, massa! Mas não é imprescindível.

Porém a prática chamada  Slave MoneY se  popularizou na internet que é comum as pessoas confundirem tudo pois isso acontece no mesmo momento em que o próprio BDSM está em evidência.

E ao ponto de uma “rainha” ir ao PVT do meu marido e simplesmente lhe passar um numero de boleto. Olha o nível disso aí! Roger nunca demonstrou nenhum interesse nessa prática. Com que então a pessoa faz uma coisa assim? Tipo pague e leve? Louco, né? Mas o barato da pessoa é ser trouxa. Só isso. É mais ou menos por ai que a prática caminha, o sujeito gosta de passar por trouxa. Gosta mesmo. Dai fica ecoando aquela coisa “trouxa kkkk” e ele vai lá bate sua punhetinha… E tudo bem. Custou ali um crédito no cartão.. Alguma coisa assim. Pode ser também presentes, né? Válido da mesma forma.

Como disse ali o Nork várias vezes no texto dele, ninguém tá aqui dizendo se é válido ou não. Cara, eu tinha uma amigo que dizia que fetiche é que nem sanduiche, são milhões de recheios diferentes. E todos são válidos. Não cabe julgar. Não quer dizer que não hajam dominadoras nesse meio. O que estou dizendo é que ela não precisa ser dominadora para a história acontecer!

Só vira um problema quando a gente começa a ver aqui e acolá essa postura nos submissos. Do pague e leve. Né?

E ai fode demais, né?

Não se pode confundir Slave Money com a prática de Servidão Financeira. Outra coisa. Aí sim existe o controle forte da Dominadora sobre o escravo. Ela tem acesso a contas bancárias, escrituras.. Tudo. Ela é a Dona dele e de tudo que ele tem. Ela dá dinheiro para ele trabalhar e voltar todo dia. Pense no entrosamento que precisa haver para que essa prática funcione!! Posso encaixar Roger nessa prática. Mas veja, são 17 anos de relacionamento e mesmo assim eu não gosto de ver senhas de cartão. Até hoje, mesmo depois de todos esses anos acho invasivo. Mas ele mostra os extratos bancários, não gasta nada sem me falar e as minhas necessidades são consideradas prioridade.

Eu cobro para ser Key Holder e eu até acho que é mais legal se o sujeito estiver pagando porque dá mais valor e encara com mais seriedade. O perigo sempre é extrapolar, sair do contrato e escorregar para a Dominação. E a chave da mudança é muito simples. Basta que um dois acredite que o submisso está se colocando em cinto de castidade por amor ou submissão. Se perder de vista que é uma prática que ele deseja ai a relação pode se tornar D/s. E aí, enfim, são outras cláusulas, outro formato.

Eu faço por dois meses. Depois paro para conversar. E seguimos no formato que for conveniente.

Eu não vivo disso. Não estou atrás de “clientes” para esse jogo. No momento só tem um menino para quem eu faço isso há muito tempo e já nem cobro mais. Porque já tá meio no automático e eu nem preciso mais ficar cuidando.

Só estou colocando para que as pessoas entendam essas diferenças. Não é preciso ser uma Domme para ser Key Holder. Bastar não achar que isso seja coisa do outro mundo e estar presente no jogo. Porque precisa cuidar. Exige atenção diária. Não raro o parceiro liga de madrugada implorando para sair do cinto. Então precisa estar sempre perto. Não tem jeito.

E assim como essa prática qualquer uma em que a Domme esteja exclusivamente atendendo o desejo do parceiro se encaixaria como fetichista ou qualquer outro nome que se queira dar quando NÃO HÁ uma relação de submissão.  E em todas elas pode haver ou não haver. Depende sempre do contexto.

Muitos anos atrás conheci um rapaz  que estava respondendo processo por forçar uma mulher a evacuar na cara dele. Olha só que louco, né?  O supra sumo da submissão dentro de um contexto totalmente inesperado. Há relação D/s ? Não.
Ele tem o prazer bizarro de comer fezes. Então contou que lhe deu laxante sem que ela soubesse e que na hora que ela começou a sentir cólicas e tentou ir ao banheiro ele a prendeu e a forçou a fazer na cara dele. Ela denunciou como atentado violento ao pudor, no que fez muito bem. Não soube dos desdobramentos dessa história mas ele estava bastante preocupado. Bem feito, aliás.

Veja por ai que não basta olhar a prática e definir se ela é ou não é D/s. Tudo precisa ser analisado em seu contexto. Depois eu vou explicar a diferença entre pro-Domme, slave money e prostituição.

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