Sou extremamente controladora na relação D/s.

Fora da cena BDSM, já sou muito possessiva, principalmente em relação às pessoas que considero de forma especial. Claro que na “vida baunilha” esses instintos estão absolutamente domesticados. Não posso ligar o dia inteiro para o meu marido, senão ele não trabalha e vamos viver de quê? Nem  posso querer ter meu filho todo o tempo perto de mim, senão ele não vive a vida dele, nem dá os vôos que precisa dar. Não é razoável e o limite está bem claro.

Já no BDSM, esses limites podem alargar-se bastante e o único perigo é que eles  não são tão facilmente mensuráveis. Ok. A medida da razoabilidade é não prejudicar a vida pessoal do escravo. Parto desse princípio para construir uma medida em minhas relações. Uma medida que seja ao mesmo tempo excitante e sóbria.

Eu e meu marido vivemos uma relação D/s. No nosso caso, a relação foi tão bem “encaixada” desde o ínicio, que não foi preciso passarmos por um longo processo de disciplina. Meu marido sempre aceitou ser passivamente controlado. Essa generosidade dele em relação ao meu desejo foi importante para encontrarmos o equilibrio sem prejuízo da relação. Sempre cedendo os dois cada um a seu tempo.

Ele sabe, por exemplo,  que precisa pedir permissão quando for sair para qualquer atividade que não seja o trabalho ou alguma coisa de nosso interesse. E ele pede antes de se comprometer com qualquer pessoa ou grupo. Também controlo masturbação, ereção, orgasmo…

O controle pode seguir várias trilhas. Posso obrigar meus escravos a só comer ou só urinar com a minha

permissão. Isso é bem excitante, mas é obvio que não pode ser assim todos os dias. Se tornaria estressante para os dois. E não tem que ser estressante.

Também gosto de controlar sexualmente. Aliás, gosto muito.

Gosto muito do cinto-de-castidade, entretanto tive algumas experiências bem frustrantes. Gostaria de encontrar um modelo que o escravo pudesse realmente usar direto. Sem tirar nunca. E começo a pensar que não existe.  Já ouvi vários relatos de pessoas que compraram com essa expectativa e o máximo que conseguiram foram dois ou três dias de uso contínuo. Ora machuca, ora saem facilmente, ora quebram. Na verdade funcionam mais como fetiche do que como mecanismo real de controle.

A castidade então tem que ser um controle emocional que o escravo internalize com lealdade incondicional.

Se eu pudesse, controlaria tudo dos meus escravos. Até o que sonham. Sou realmente obstinada por controle.

O problema é que é um domínio psicológico. E o stress só é percebido quando esse  controle começa ser sufocante.  Você não vê as marcas mudando de cor, como nos castigos físicos. É fácil ir além do nível de segurança, por isso o escravo tem de alertar quando o jogo está sendo demasiado invasivo ou extrapolando limites importantes.

Uma coisa que acredito que não deve fazer parte deste jogo são SENHAS. Nenhuma senha: nem da locadora de vídeo, nem de banco, nem de redes sociais. Aqui e acolá ouço histórias de pessoas que foram prejudicadas por compartilhar senhas. É uma responsabilidade imensa compartilhar senhas com qualquer pessoa. Se der qualquer problema pode acontecer uma  situação contrangedora que detone a relação. Não vale a pena arriscar.

Outra coisa que eu acho perigosa é envolver pessoas alheias ao jogo. Li em algum lugar dia desses sobre um dominador que começou a determinar inclusive as roupas que as filhas da submissa deveriam usar. Perigoso por que aquelas pessoas não estão no jogo. Isso não é consensual.

Por isso esse tema me incomoda e vejo sempre a mesma responsta: o escravo precisa se responsabilizar

pelos seus limites e a Dominadora precisa estar atenta.

Eu coloco regras claras e espero que o submisso compreenda que ninguém além dele pode saber como se sente e quanto espaço está disposto a ceder. É preciso ter em mente que todo o espaço que me for dado , eu vou usar. E vou querer sempre mais.

Tem que saber jogar pra ser um bom companheiro.

: )

Beth Andrade

Rainha Frágil

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