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Mestre Sade é um velho amigo e eu acompanhei muito a história dele e especial ele tentando trazer a esposa para o universo BDSM. E sempre achei admirável que ele insistisse em que era com aquela companheira que ele queria viver isso.  Muita determinação mesmo.

E eu fiquei muito feliz por finalmente se encontrarem. Tenho lido muita gente por aí dizer que não dá pra rimar BDSM e amor. Ah, dá sim!

A minha história com Roger está ai, espalhada em todos os cantos deste blog. E somos felizes. E a cada ano, a cada dia nos unimos mais. E almoçamos na casa da sogra, e trabalhamos e recebemos  amigos de todas as tribos…

E tem mais exemplos, viu? Muitos. Mas BDSM é que nem Neston, né? Existem mil maneiras de viver. Essa é apenas uma delas.

Mas hoje  vou trazer essa conversa com Mestre Sade porque eles vão se casar no final do mês no BDSM. Na verdade, irão reforçar as alianças que já trazem de sua união.

(aqui na minha casa!!)

Obrigada Mestre Sade.

: )

 

Primeiro gostaria que se apresentasse e nos apresentasse sua escrava e se possivel contasse um pouco da vossa historia.

Sou o Mestre Sade e minha sub é a mel. Somos casados há 21 anos, temos dois filhos, um rapaz de 21 e uma moça de 16 e um neto de nosso filho mais velho. O BDSM surgiu para mim em 1993, quando li o livro A história de O. Mas desde criança sentia alguns desejos estranhos. Por exemplo, eu me excitava com a novela A escrava Isaura (a primeira versão) e com a famosa cena dos desenhos animados em que o vilão amarra a mocinha na linha do trem. Mas sentia um problema ético, porque aquilo parecia errado. A história de O foi revolucionário porque mostrou como eu poderia gostar daquilo sem ser um “monstro” (rs).

O não é obrigada a fazer aquilo, ela está ali por livre iniciativa, é consensual. Daquela época em diante comecei a colecionar tudo que conseguia sobre BDSM, desde notícias de jornais a livros, filmes.

Como aconteceu a escolha dos papéis BDSM entre vocês? Já estavam postos ou foram adaptados?

Confesso que nunca imaginei minha esposa como submissa. Na vida cotidiana ela não é nada sub. Em local em que ela trabalhou durante anos ela exercia função de chefia e fazia isso muito bem. Mas com o tempo, conforme eu me aprofundava no BDSM, ia ficando cada vez mais claro para mim que era aquilo que ela queria. Então, chegou num ponto que eu disse a ela que não viveria mais uma relação baunilha. Já tínhamos feito algumas coisas de BDSM, especialmente shibari, que ela adora, mas ela nunca havia sido submissa mesmo e resolveu experimentar. Para minha surpresa, ela adorou. De certa forma, aquilo parecia algo que ela precisava: alguém que cuidasse dela, que tomasse as decisões, que protegesse.

Por outro lado, ela também se descobriu bissexual, o que ampliou ainda mais o leque de práticas. Nossa relação mudou completamente.

Como lidam com as atividades cotidianas? relacionamento com a família, trabalho… vocês têm filhos, né? Há uma separação rígida entre a vida bau e a outra? Ou pode-se perceber nuances no cotidiano. 

O BDSM ainda é algo novo em nossas vidas, especialmente na forma como o vivemos hoje. E temos filhos, neto. Difícil, por exemplo, fazer sessão em casa. Para isso vamos para motel. Já fizemos uma sessão conjunta na casa de uma amiga dominadora, que foi ótima. E estamos com nosso casamento BDSM marcado para fevereiro, um período em que vamos viver uma espécie de 24-7.

No cotidiano, as mudanças são sutis. Ela, por exemplo, passou a usar coleiras sociais (ela se apaixonou por coleiras e deve ter umas duas dúzias delas). Também em muitas oportunidades há fatores sutis. Quando vamos sair, por exemplo, escolho a roupa com a qual ela irá. Também começamos a praticar algumas coisas de shibari na frente dos filhos, como por exemplo, eu amarrar os pés dela, uma forma de ir tornando essa prática algo comum para eles, caso venham a descobrir algum dia a natureza de nossa relação. De resto, parecemos um casal normal.

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