Ontem eu ri muito com um amigo com quem costumo brincar pela net. Ele vive se oferecendo para mim. Todo mostrando o bundão. Tem bundão e eu gosto de bundão.
Daí ontem eu disse: “Ok. Vamos brincar no bundão!”. “Quero que vá ao supermercado e compre uma cenoura. Uma cenoura fina. Pense muito sobre o que aguenta pois vou mandar você enfiá-la.”

Passou, passou… E nada. Daí eu: “Cadê a cenoura?” Ele fala que não conseguiu comprar. Eu: “Como assim? O único supermercado do mundo que não tem cenoura?” E ele explica:
“Eu disse que não consegui comprar. Eu achei. Mas não consegui comprar. Tive vergonha.”

Gente… É só uma cenoura. Todos os dias, milhões de pessoas no mundo compram cenoura, especialmente naquele supermercado 100 ou 200 pessoas no mínimo.  E a pessoa acha que se comprar alguém vai reparar e comentar: “Aposto que é pra enfiar no rabo!”

Gente… As pessoas não pensam isso. Você pensa? Eu reparo no carrinho dos outros só quando a pessoa está levando muito de um produto… Eu pergunto logo porque talvez seja uma boa promoção! Fora isso. Eu nem sei que cara as pessoas têm.

Estou com o Roger e temos muitas decisões para tomar. “Esse saco de lixo a gente levou semana passada. Achei fraco. Tive que usar 2.” Compramos um mais reforçado. São decisões que parecem pequenas mas que mexem com nosso orçamento, exigem um olhar para nossa agenda (iremos almoçar e jantar todos os dias em casa? alguém vem nos visitar? o que você está com vontade de comer esta semana?)

E estamos namorando também. Dizemos coisas maliciosas um para o outro. Damos risada de algum comentário. Lembramos de alguma coisa que temos para contar. “Ei, adivinha quem me adicionou no face!!”

E, pelamordedeus, nós não estamos nem ai para o que você está comprando. Exceto se for realmente alguma coisa que chame nossa atenção.  Por exemplo, um cara assustadíssimo olhando para as cenouras!!

Um de nós vai comentar. Já sei. Roger vai fazer um trocadilho sobre cenouras e eu vou falar pela milésima vez sobre a síndrome de paparazzo.

Um segundo depois eu vou estar pensando sobre se comprei salsinha e roger vai tentar lembrar se trouxe o melhor cartão para pagar as compras. E nunca mais lembraremos da cara do sujeito. Se era branco, se era preto, se usava barba, se não usava…

Em geral, os clientes que tem algum fetiche especial também são assim, fetiche bobinho até, legal, e possível realizar consensualmente,  mas que as deixa absurdamente vulneráveis. Fetiche de usar calcinhas. Tive um cliente que me levou dias e dias de atendimento para que tomasse coragem de pelo menos me falar pelo telefone o seu fetiche. Que era de usar calcinhas.

Eu sei que todo um problema moral. Da moral que nos foi ensinada. Mas a questão não é sobre moral. É sobre fazer coisas que te dão prazer e não ferem ninguém.

Você precisa se perguntar:

1. Esse fetiche me coloca em risco ou coloca em risco meu(minha) parceiro(a)? Posso fazer apesar do risco ou estou inseguro no momento e prefiro pesquisar mais? Se respondeu que esta inseguro, abandone temporariamente a ideia, estude o risco e as maneiras de evitá-los. Demore para voltar. E depois recomece fazendo novamente a mesma pergunta.

2. Esse fetiche é legal? Sabemos que jamais ferir-se ou ferir alguém será considerado legal. Por isso a questão da segurança é importante. Pode deixar marcas indeléveis? Marcas são lindas e em geral submisso(as) amam cada uma delas por dias. Mas é perigoso. Se vai deixar marcas, pesquise. Até o spanking tem regras. Até a feminização tem regras. Strap-on tem regras. Para ser um bom jogador você precisa saber que respeitamos as regras do país em vivemos. Se no Brasil a maioridade é aos 18, é essa a nossa medida. Não brincamos com menores de 18 anos sob nenhuma hipótese. Esteja atento, converse com pessoas mais experientes.

3. A prática desse fetiche pode ser consensual? Na verdade não têm uma ordem para se fazer essas perguntas. Porque se não for consensual tem risco para o(a) parceiro(a). Se não houver riscos físicos com certeza haverá risco psicológico. É ilegal forçar qualquer pessoa a faz qualquer coisa que não queira. E se você fizer estará cometendo um crime.

Precisa a outra pessoa dizer SIM, com todas as letras, em alto e bom tom. E o SIM precisa ser livre e consciente. Ou seja, não vale o sim se o(a) parceiro(a) estiver de pileque. Exemplo clássico. Também não é consensual se você usou qualquer tipo de ameaça. E acredite: “Mostre que me ama.” é uma ameaça.

Pronto. Você pensou sobre isso? Tudo ok? Você está ok? Sua(seu) parceira(o) está ok? Pronto. Ninguém pode censurá-lo.

Luke comentou que eu e roger parecemos mais à vontade em relação à mídia e exposição de nossa vida. À vontade, totalmente, Luke, não ficamos. Mas só em respeito aos nossos familiares e empregadores. Sem histeria.

A maioria deles sabe sobre nossos fetiches, ou pelo menos imagina que temos fetiches especiais. E olha que ironia:  as pessoas comentam que não pode ser mesmo normal um casal que se dá tão bem…

A gente tenta passar o melhor de nós: nossa cumplicidade, nosso carinho um pelo outro, a alegria por estarmos juntos.

Não tem como as pessoas nos condenarem por nosso estilo de vida. Somos felizes. O que fazemos é seguro, é legal e é consensual.

Pronto.

Contra fatos não há argumentos.

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