simbolo-do-teatro
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Dia desses conversando com uma pessoa voltei a ouvir que BDSM é Teatro. É. Somos personagens de fato. E gostamos de cenários variados. Ah, e temos roteiros também. Então, tá. Puro teatro.

Só esquecem de um detalhe: a dor é de verdade, o sentimento de poder é de verdade.
O sentimento de submissão é de verdade.

Eu exijo essa verdade.

Não basta vestir a roupinha de menina, é preciso estar menina. É um papel, a cena tem começo, meio e fim. Mas durante a cena ninguém pode simplesmente “apear” do salto, ou chamar outras mulheres de vadias (Ah, não, a Senhora não!). Fora da cena, ok. A diretora já liberou! Tire o salto, a tiara, tira até se quiser, a menina de dentro de você. Mas jamais durante a cena. Jamais em cima do salto.

Jamais a esqueça feito boneca de pano que a criança jogou no fundo do armário. Ela é um pouco você, por mais que fuja. O personagem mora ai dentro e você precisa vez ou outra revisitá-lo. BDSM precisa ser transformador. Precisa lembrar às vezes aquela dorzinha na perna por andar nos saltos. Precisa. E precisa levar acima de tudo, o sentir

Não adianta usar o cinto de castidade e sair de alma impura, não vigiar os pensamentos, trair aquela mulher a quem prometeu virtude.

BDSM é teatro mas a dor é de verdade.

Aquele olhar submisso tem que ir pra casa, pro cotidiano, mesmo fora da cena. Tem que estar ali. Rir de repente ao lembra daquela sensação de pertencimento.   Baixar os olhos, repetir mil vezes o gesto de respeito. Mil vezes beijar-lhe os pés, trazer-lhe o café da manhã, adorá-la em todos os momentos.

BDSM é teatro, mas os personagens só tocam o coração da plateia quando se fazem atores de si mesmos.

BDSM é teatro, mas o roteiro é  inesperado e louco, mesmo cercado de cuidados.

BDSM é teatro, mas as fantasias, os monstros, as princesas, as rainhas… Não voltam todos para o camarim quando o  espetáculo termina. Antes voltam para nossos corações e ali permanecem até serem novamente libertados.

BDSM é teatro mas minto: nunca tem fim, só tem sempre começo. E recomeços.

BDSM é teatro mas nunca voltamos para agradecer a plateia.

Quando as cortinas descem, gozamos, beijamos na boca, nos abraçamos, choramos e rimos…

Sugestão de música: Sina Nossa, Teatro Mágico

 

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