Eu acho que o que torna as relações BDSM tão prazerosas é o fato de que nos colocamos inteiros nela. Eu preciso conhecer meu escravo, conversar sobre seus fetiches, falar dos meus. E conversar sobre limites.

Mas falar de limites não é assim: não aceito strap-on, não gosto de sangue, não posso ficar com marcas, etc, etc…

Ai chegar me falando assim já me dá logo uma brochada.

Não, não. Eu falei que é preciso conversar sobre limites, não me encher a cabeça com milhões de limites, suas razões, seus motivos.  Opa! Por partes…

De cara, tem dois limites que para mim são lei: exposição pública e marcas indeléveis.
Esses são limites que só ultrapasso a pedido do escravo, no momento dele.

Quanto de exposição pública a pessoa pode suportar?
Só ela que sabe.
Ela deve ser dona de sua vida pessoal, profissional e colocar claramente seus limites e expectativas.

Por mim, nem precisa dessa discussão!
Porque não tem o menor perigo de eu ultrapassar sem permissão clara do escravo.

Às vezes eu acho que deveria insistir mais em certas coisas. Negociar outras marcas, alguma exposição.
Mas eu acho que realmente diz respeito ao escravo.
E eu tenho que respeitar.

Claro que ele precisa me manter ligada.
Me dar outras coisas. Romper outros  limites.

Importante é eu ter a clara ideia do espaço que posso ocupar e sentir que estou abrindo lentamente novos espaços. Jardins suspensos, prédio vertical, elevadores. Tudo fluindo até vir de lá o mané com outro limite idiota.

“O cu, não!”

Ora, enfia o  cu no cu.

É um limite que me chateia e me brocha.
Porque ele não faz sentido, exceto se a pessoa tem um problema físico mesmo. Claro que eu entendo. Ou uma questão moral muito profunda (mas tem que estar disposto a discutí-la!) . Um trauma que precisa ser revelado, sei lá.

Mas eu não me conformo o sujeito me dizer: “porque eu não sou gay”

Cara, eu sei que você não é gay.
Mas isso é uma coisa entre nós dois.

Não tem confiança. Não tem como a gente ir pra frente.

Eu estou pensando que é lindo o que você é capaz de fazer por mim.
Isso que eu estou pensando.

Eu sempre digo: “Não se apresse. Estou aqui e vou ficar aqui.”

Demora pra eu desistir pra sempre de alguém.

E eu sei que é difícil romper essas barreiras por isso tenho a maior paciência do mundo.
Mas se o outro quer ali aquela mesmice… Ah, sei lá, fique só.

Então, voltando ali aos limites: temos todo o tempo do mundo.
Não é pra hoje.
Não é pra ontem.

Só precisamos estar abertos às mudanças e elas vão acontecendo naturalmente.

Agora a pessoa toda hora empacar em limites bobos. É muito chato.

Gostoso é confiar.

Devagar.

Vai sentindo a pessoa.

Vai dando um pouco mais de espaço.

Nenhuma dominadora pode invadir seus limites de qualquer maneira, atropelando seus compromissos, entrando na sua vida pessoal.

Eu não invado. Se for esperar, senta que em pé vai cansar.

Só que se forem muitos eu acabo escolhendo ir embora.

Desculpe mas sim, simples assim.

Eu também tenho limites. E esse tipo de relação anda a tranco. Três passinhos pra frente, dois pra trás.
A relação vai  tão preguiçosa que perder completamente o seu charme é fatal.

Não.

Não quero.

Odeio mimimi.

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