Uma galera se juntou na casa de minha Senhora, a Rainha Frágil. Todo mundo se preparando para o Tim Burton’s Halloween Party, festa temática inspirada nesse sombrio cineasta (“Edward Mãos-de-Tesoura”, “Batman”, “A Noiva cadáver”, “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”). A maioria não sabia ao certo com que fantasia ir. Sorte serem amigos de um casal sadofetichista como a gente. Emprestamos alguns acessórios e apetrechos nossos para usarem na festa. Adoraram.

A própria Rainha Frágil também ainda não havia se decidido com que visual ir. Ela queria sair de Bruxa. Eu sugeri de Freira, com um açoite e um visual fetichista. Infelizmente, fazia um belo calor e ela resolveu não ir muito “carregada”. Pôs um vestido, um corset negro brilhante, calçou um par de botas, colocou uma joalheria na testa, improvisou um manto e pronto. Virou uma cigana.

Para o meu bem, resolvi ser o último a me arrumar. Minha fantasia era bem carregada e eu iria derreter esperando os outros se aprontarem. Por causa do calor, receava passar mal com ela,  mas não estava disposto a  desistir dela. Afinal, ela era a principal razão de eu querer participar dessa festa, desde que ouvira falar dela um mês atrás. Que fantasia era essa?

De empregadinha.

Como vocês sabem, curto ser feminizado. Também curto me exibir feminizado, entretanto só tenho coragem de me exibir em público em nossos eventos sado-fetichistas. Já em um evento “não-sado-fetichista” fazia séculos que não aparecia assim. Aquela festa seria uma boa oportunidade de me expôr assim a um público “normal” e de mente aberta.

(Sem falar que agora não seria numa boate GLS, como na vez passada, onde ir travestido de mulher era “permitido”)

Além do mais, não era uma fantasia de empregadinha qualquer!

Não, Senhor!

Era uma “Empregadinha Tóxica”!!!

No que consistia: um par de saltos-altos, um body curto, bem justinho, de mangas lonngas, com babadinhos nas aberturas; uma saia; meia-calça negra transparente com estampa floral; meia-calça arrastão; segunda-pele negra transparente; colete postural com guia de coleira; e uma tiara (eu disse que era carregada!).

Os toques especiais: um avental estampado com um símbolo de alerta para veneno (uma caveira) e uma máscara-de-gás.

Entenderam porque é uma “Empregadinha Tóxica”?

Arrumei-me bem ao lado de um ventilador ajustado na velocidade máxima! Quase todo vestido (ou seria “vestida”?), descartei o colete por causa do calor. No lugar dele, atei uma gargantilha com laço, o que me deu um toque bem “cuti-cuti”. Dei uma última repassada no espelho. Fiquei uma graça. E a máscara e a caveira no avental me deram um certo ar macabro. Gostei.

Ah, sim! Por baixo disso tudo, e sobre as meias, vesti uma linda calcinha negra transparente com babadinhos e delicados laços nas laterais. Tinha esperança de, ao voltarmos, continuar a celebrar o Halloween a sós com minha Dona.

Juntei-me ao grupo que aguardava na sala e fui recebido com surpresa e admiração: “Nuóóóssa!!!”. As garotas foram as que mais se empolgaram, o que me deixou muito feliz. E, como na vez passada, a mãe da Rainha Frágil se chocou com meu visual. Não acreditou que eu sairia assim.

Resolvemos bater fotos, porém me senti mal. A máscara-de-gás era muito abafada e comecei a sufocar (já falei que fazia muito calor?). Tirei a máscara e substituí por uma outra nossa, toda negra, que cobre somente o rosto e possui um zíper no lugar da boca.

E assim terminava a curta carreira da Empregadinha Tóxica. Surgia a “Serva Macabra”. (O melhor nome que me passou pela cabeça).

Aprovei a mudança. Fiquei parecendo uma bonequinha de trapo.

*  *  *

Os táxis chegaram e… bem, obviamente tivemos que sair de dentro de casa.

Ou seja, tive que, enfim, SAIR FEMINIZADO!

Era para eu estar bem nervoso, com medo de ser visto assim lá fora, entretanto já tarde da noite e imaginava que havia pouco movimento à noite.

Dito e feito: ruas quase vazias. Só que, mesmo muito bem vestido, com meu corpo coberto pela meia-calça e a meia arrastão, o body de mangas longas e a máscara, me senti nú em campo aberto. Meu receio era de alguém das proximidades me reconhecer, mas era bobagem. Estávamos em um grupo grande e fantasiado. Dificilmente alguém pensaria que eu fosse um travesti ou iria associar aquela empregadinha mascarada a mim (ao menos, assim esperava).

Finalmente embarcamos nos táxis. Mesmo sendo ateu, agradeci a Deus pelo motorista ter vindo com ar-condicionado ligado. Indiquei-lhe nosso destino e que direção deveríamos seguir. Traí minha fantasia, pois falei normalmente em vez de tentar fingir uma voz feminina. Não havia necessidade. Creio que os taxistas estão acostumados a levar todo tipo de gente estranha. Tanto que, sem demonstrar um pingo de assombro, me sugeriu uma outra rota, por considerá-la mais rápida. Concordei.

Chegamos em poucos minutos à Hey-Ho, boate onde ocorreria a festa. Como prova de que o motorista que nos trouxe estava certo, o táxi que o resto do grupo tomara ainda não havia chegado. Então ficamos lá, minha Senhora, uma amiga escrava e eu feminizado em frente à boate aguardando os outros. Infelizmente para mim, nas ruas próximas da boate também havia pouco movimento e assim todos podiam me ver. De soslaio, percebi que atraia alguns olhares e sorrisos espantados.

Começou meu sofrimento com os saltos-altos: a calçada onde estávamos era bem inclinada. Procurava me equilibrar.

Começou também meu dilema: Queria entrar logo, pois na penumbra não me sentiria tão exposto. Entretanto, lá fora era bem mais fresco, batia um vento gostoso. Enfim, o resto do pessoal chegou. Aliviei-me pensando que finalmente iríamos entrar, porém uma de nossas amigas ficou de esperar na entrada mais algumas amigas, e minha Senhora aproveitou para fumar um pouco, já que lá dentro era proibido.

Sem ter o que fazer, observei o movimento ao redor e as fantasias do pessoal, principalmente as femininas. Foi quando percebi uma mão apalpando minha bunda. Arrepiei-me, porém não me surpeendi. Era a Rainha Frágil se aproveitando da situação. Seu olhar travesso e o sorriso diabólico me confirmaram tudo.

Aguardei exposto lá fora mais outros minutos até as tais amigas chegarem. Bateram algumas fotos e resolveram entrar.

Respirei fundo e FINALMENTE adentramos à boate.

A entrada não é muito ampla, e próximo dela havia algumas mesas de sinuca onde vários jogavam. Por isso não tive escapatória: assim que entrei, fui visto por uma galera. Mais sorrisos e risadinhas. Creio que curtiram. Acalmei-me um pouco. Tentei relaxar, curtir a música. Pô, afinal era uma festa à fantasia, ué. (Tá certo que ninguém espera um marmanjão vestido de garota, mas mesmo assim, né?). Todos ali trajavam um visual bem sombrio e outros entraram legal no clima da festa. Por lá vi o Beetlejuice, de “Os Fantasmas se Divertem”, e a Sally, de “O Estranho Mundo de Jack”. Inclusive encontramos uma amiga com um visual à lá Willy Wonka, de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Ao passar próximo do caixa, tive a impressão de que a balconista sorriu para mim.

A decoração era bem bacana, havia teias sintéticas, aranhas penduradas. Num telão, filmes do Tim Burton eram exibidos.

Depois de um tempão perambulando por lá dentro, minha Senhora resolveu fumar mais uma vez e por isso teve de sair. Aproveitou então para dar uma volta pelo Dragão do Mar – o maior complexo de lazer público de Fortaleza – já que era bem perto. O resto do grupo resolveu acompanhá-la… menos eu.

Não tive coragem de sair assim. Topei ir feminizado para a festa porque minha fantasia combinava com a sua proposta. Já lá no meio do Dragão… não sei, iria chamar atenção demais. Minha Senhora compreendeu e permitiu que eu ficasse. Ela então saiu com o grupo, e fiquei ali, sozinho e vestido de empregadinha.

Pior. Lembrei depois que nosso dinheiro estava na bolsa… dela. Ou seja: além de sozinho e feminizado, estava entregue à propria sorte.

FUDEU!

Felizmente, havia alguns amigos que conhecemos nas edições da Profania, e conversamos bastante. Nesse meio tempo, algumas garotas me abordaram e bateram fotos comigo. Claro, por causa da fantasia.

Fica a dica para quem quiser chegar fácil junto da mulherada.

Depois de cerca de uma hora, minha Senhora retornou. Divertiu-se me imaginando feminizado e sozinho por tanto tempo (Em sua maligna mente, viu todo mundo passando a mão em mim). Ela me ordenou que lhe comprasse uma cerveja. Fui no caixa comprar fichas e a balconista sorriu marotamente para mim.

– Eu queria ver teu rosto…

Eu ri e levantei a máscara. E ela riu também. Comprei a ficha e me despedi. Ao sair, ao meu lado, uma garota que esperava na fila também me sorriu.

*  *  *

Bem tarde da noite, resolvemos voltar para casa. O resto do nosso grupo já tinha ido embora. Só sobrara eu, minha Dona e a amiga escrava. Na rua do lado de fora, nenhum táxi. Só havia lá no Dragão do Mar.

FUDEU!

Eram umas duas quadras até lá, mesmo assim o trajeto me pareceu interminável e ameaçador, ainda mais naqueles saltos-altos. Ainda não tinha coragem de ir até lá. A amiga escrava se apiedou de de mim e foi buscar um táxi para nós (devo-lhe a vida!).

No banco de trás, apesar de ter curtido a experiência, já me aliviava por voltar para casa são e salvo. Todavia, uma das mãos de minha Dona começou a discretamente a acariciar minha nuca. Olhei para a Rainha Frágil e agora foi a vez dela me sorrir. Sedutora e moleca. A mão desceu vagarosamente, roçou minhas costas, apertou meu quadril. O body que eu usava era bem justa e macia. O roçar da mão friccionava o suave tecido em minha pele e onde minha Dona roçava e apalpava ficava bem sensibilizado. O mesmo aconteceu quando a mão se enfiou por baixo de minha saia, pousou e roçou sobre minhas coxas. Sentir a meia calça e as meias-arrastão friccionando a pele é de um prazer indescritível. Tive vontade de gemer, de grunhir, porém precisava me conter. Não queria “assustar” o motorista. Nem dar bandeira que eu estava me excitando, mesmo vestido de mulher.

Enquanto me assediava, Rainha Frágil me perguntou se “sua garota” se comportara bem ao estar sozinha na festa, se não fez “coisa feia” com nenhum bonitão. Respondi lascivamente que não, que fui uma boa garota. Do lado de minha Dona, a amiga escrava via tudo e ria baixo. A Rainha então me espremeu o pênis. Soltei um gemido abafado e minha Dona deu uma risadinha ao perceber o quanto eu estava excitado. Sussurrou bem no meu ouvido:

– Bichinha!

Então, ela me elogiou. Disse que eu estava mais à vontade, mais calmo e que por isso achava que agora eu poderia sair assim mais vezes para outros eventos.

Ih.. fudeu.

Ela continuou me cutucando, me beliscando, me provocando até chegarmos em casa. Ao entrarmos, por causa do calor, senti vontade de tirar logo a roupa, entretanto, eu também sentia outro tipo de “calor”. E minha Dona também.

Ela me conduziu até o quarto e se deitou na cama. Livrei-me imediatamente da máscara, do avental e dos saltos-altos, mas ainda me mantive de empregadinha. A Rainha pegou a máquina e tirou algumas fotos de mim, só que a essa hora a cerveja já fez efeito e as fotos saíram péssimas! Ela riu e me chamou para junto dela. Engatinhei na cama até ficar de quatro sobre minha Dona. Nos beijamos e nos abraçamos forte. Ela apertava e envolvia minha cintura em seus braços, esfregava minhas costas. O calor pesou de vez, desnudei meus braços das mangas longas, abaixei o body até a cintura, expondo meu tórax sob a segunda-pele.

Rainha Frágil beliscou-me os mamilos e os puxou em sua direção, forçando-me a curvar sobre ela. Novamente me abraçou, pressionando meu corpo contra a dela e abocanhou sofregamente um dos mamilos. A segunda-pele amplificava a sensação dos dentes e da língua estimulando meus mamilos. Um gemido me escapou. Minha Dona então levantou uma das coxas entre minhas pernas e a pressionou bem contra o meu períneo (a área entre os testículos e o ânus).

– Rebole! Vamos!

Fiz o ordenado. Requebrava languidamente a cintura, pressionava minha bundinha contra sua coxa, empinando para cima e para baixo, para a frente e para trás, sendo gostosamente penetrado por um pênis imaginário. Sentia a deliciosa textura das minhas meias e da minha calcinha esfregando o períneo. A Rainha logo voltou a me mordiscar e sugar um dos mamilos. Com uma das mãos, beliscava meu outro mamilo. Com a outra, começou a se mastubrar.

– Ai… que vadia! Aposto que gostou de se exibir para os machos lá da festa, né? – provocou-me, trêmula de prazer.

Tonto de tesão, repondi que sim, mas que não queria nada com nenhum deles.

– E as garotas rindo de você? Acha que alguma iria querer alguma coisa com um viadinho como você? Hein?

Respondi que não, já não me agüentando mais de tanta excitação.

A uma ordem de Minha Dona, passei a penetrar-lhe com os dedos. Remexia-a por dentro ao mesmo tempo que ela se tocava. Começou a gemer mais, seu corpo estremecia até que sua expressão se contorceu e a Rainha arqueou-se e soltou gemidos longos e sufocados. Após alguns instantes, os gemidos cessaram e seu corpo relaxou. Voltou a repousar as costas e a cabeça na cama, mas, ainda ofegante, remexia o quadril, pressionando a vagina contra meus dedos ainda em seu interior. Dei algumas beijoquinhas nas coxas, em sua barriga, em seus seios, até a Rainha Frágil repentinamente me afastar.

– Não, não! Não quero nada com você agora. – disse levantando-se rindo.

Protestei e grunhi. Ela adorava fazer isso: “provocar e negar”.

– Preciso fazer umas coisas no computador. E a Mônica (nome fictício de nossa amiga escrava) vai dormir com a gente. A coitada já está morrendo de sono. – justificou-se cinicamente enquanto abria nosso baú de cordas.

Escolheu uma longa. Com uma das pontas, amarrou meus tornozelos juntos. Com a mesma corda, atou meus pulsos juntos atrás de minhas costas com um nó corrediço. A outra ponta atou na grade da janela, acima da cama, um outro nó corrediço. Então deitou-me de lado e puxou a corda, que puxou meus tornozelos em direção aos meus pulsos amarrados, forçando meu corpo a arquear um pouco para trás. E carinhosamente, ajeitou uma almofada por baixo de minha cabeça.

– Sossega esse facho. Quem sabe a gente brinca depois.

Beijou-me a bochecha e saiu, deixando-me a sós com um tesão reprimido pelo meu corpo preso e arqueado em cordas e trajes femininos. A frustração aumentou um pouco mais, e em pouco tempo a excitação deu lugar ao cansaço da noite, que desabou sobre mim. Adormeci.

Terminava meu Halloween.

Muitas travessuras e nada de doces.

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