“Era uma vez uma  jovem que tinha a seus pés um obstinado rapaz. Ele a seguia como uma sombra e não perdia uma única oportunidade de adorá-la em sincera contemplação.

Um dia, a jovem cansada de vê-lo implorar , propôs um desafio: se ele ficasse a sua espera durante 100 dias e 100 noites, na varanda de sua casa, então ela concordaria em namorá-lo.

Ele aceitou prontamente o desafio e no mesmo dia mudou-se para a varanda.  Matava a fome com alguma coisa que os passantes solidários lhe ofereciam. Bebia agua da chuva. E foram longas noites frias.

Porém, todos estranharam quando faltando apenas um dia para completar o prazo, ele levantou-se e foi embora.

Ele, sorrindo, explicou: em cada um dos noventa e nove dias que passei naquela varanda, esperei dela um sorriso, um afago. Que se comovesse com minha dor. Que olhasse pra mim com ternura. Tive febre, calafrios, dores e nenhum afeto. Penssei sobre isso, e entendi que nada mudaria também no dia seguinte. Que se ela tivesse algum amor, um pouco que fosse de afeto,  não esperaria os cem dias para me dizer.”

Eu gosto muito dessa fábula. Ouvi a primeira vez no filme Cinema Paradiso e nunca mais esqueci. Nem sei se recontei direito mas acho que preservei o seu significado.

Voltou-me a memória quando estava pensando sobre tudo isso que a gente conversou e especialmente o último parágrafo do teu primeiro post, Priscila.

Aqui, quando você diz: “Argumentei que se eu fosse sua escrava, o que não sou, e se tivesse condições, o que atualmente não tenho, ajudaria com o maior prazer. Disse que comparo uma relação Domme/sub a um casamento, mas com muito mais entrega e intimidade, e não vejo problema o marido ajudar a esposa nem o sub à sua Dona. O que não era o meu caso, pois era livre apenas esperando o sinal verde dela o que não vinha. Disse que mesmo se tivesse dinheiro, mas na situação atual, sem nenhuma relação estabelecida, não ajudaria, pois me sentiria usada da pior forma possível…. “

Primeiro eu acho deselegante de tua parte dizer  “Eu te daria se… ”  Você está negociando! Não é a mesma moeda mas tem o mesmo peso. Você perdeu a oportunidade de aproximá-la mais de você porque  tenho a certeza que iria encantá-la se dissesse:  “Poxa, se eu tivesse dinheiro iríamos os dois” .

Voce diz que estaria esperando um sinal verde dela. O que exatamente seria esse sinal? O que você está esperando que ela faça ou diga antes de voluntariamente começar a serví-la? Ela poderia apenas aceitar a sua submissão e usá-la eventualmente?

O que mais pode esperar um escravo de sua rainha, assim, logo num primeiro momento?

Mas dai esperar… Até quando?  Ou até quanto?

Não se pode dominar quem não deseja ser dominado, mas servir sim. Se você deseja serví-la, sirva e não espere nada em troca.  Esteja presente. Suporte o desprezo. Esteja disponível. Se deseja serví-la, faça desde já.

Penso que a fábula serve também para quem Domina. Que saibam perceber bem antes dos 100 dias quando o limite está se aproximando. As dominadoras sonham também. E não é condenável julgá-las por sonhar o submisso ideal. Ele completo, com muita grana, muito amor pra dar, com poucos limites para as práticas. Bom caráter, generoso.  Bem, talvez elenão exista. Mas mesmo que ele exista,  é preciso que a gente esteja sempre em posição de escolher. Que nada nos compre a alma,  nada além da mais completa submissão.

Assim, olhem com mais atenção os moços nas varandas. Roger era um cara na varanda… Eu não sentia nada por ele. Um dia eu percebi que ele estava sofrendo muito e que sentia frio. Convidei-o para entrar. E foi bom.