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Quanto maior a altura, maior o tombo. Ninguém melhor que um bipolar para compreender e endossar esse ditado.

Ninguém sabe melhor o que significa ir as alturas em um dia, num estado de louca euforia e no outro dia, despencar. Levei muitos anos para entender que precisava me tratar, o que só aconteceu pra valer há um ano atrás. Quando em mais uma crise de euforia eu encontrei um site em que se dizia “o bipolar consegue escrever um livro em uma noite” . Era eu! Lia isso enquanto escrevia compulsivamente nos grupos. Na fase eufórica vc parece o Bip Bip, consegue até estar em vários lugares e falar com 500 pessoas tudo assim ao mesmo tempo. Tudo é urgente. Sua cabeça tá cheia de idéias. Voce tem a formula para consertar o mundo.

E a questão é que ninguém procura o médico quando está feliz. Então, a gente só procura ajuda, “SE” procura ajuda, na fase depressiva. Porque ela é a ressaca da euforia. Assim, quanto maior a euforia, maior a ressaca.

Meu medico passou anos me dizendo que eu tinha bipolaridade e que tinha que tratar. Eu não aceitava. Eu só enxegava a fase depressiva que tratava como uma patologia. Tipo eu pensava que tudo o que tinha que fazer era ficar quietinha em um canto até aquilo estranho passar. Aquela coisa de chorar por dentro. De acordar e não despertar. Ficar invisível.

Mesmo depois de aceitar que era bipolaridade eu tinha dúvidas e questionava sobre se a bipolaridade não era uma parte da minha personalidade. Assim, eu pensava que não ia mais ser criativa, que não ia mais querer inventar moda. Quase acreditava que a bipolaridade era um dom.

Mas então, há  um ano, depois de uma crise mais forte, decidi tomar litium. E tem sido muito bom. Hoje me dei conta de que estive de novo em crise no último mês e que dessa vez a altura foi pequena e o tombo menor ainda. Ainda sou a mesma pessoa. Até porque isso não tem cura. O que o medicamento faz é reduzir os efeitos mas as crises continuam acontecendo, so que cada vez mais leves. E até o fato de voce assumir o problema te torna imediatamente mais cauteloso.

Sou ainda a mesma pessoa inventiva, sensível e… eternamente frágil.

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