Eu quis falar sobre liturgia porque me trouxeram esse tema. E eu adoro que me tragam temas.
Mas é um assunto que dependendo do contexto em que é colocado chega a ser perigoso.
Então falar desse tema me lembra que é preciso sempre alertar as pessoas.
Cuidado!
Muito falação pra pouca atitude.
Muita regrinha nada a ver.
Muito fake com roteiro pronto de sedução.
E muita aposta sobre quem seduz mais.
Eu não sou candidata a clubinho de macho escroto.
Eu falo o que eu quero.
Eu faço o que eu quero.
Tô nem ai pra essa galera que aliás, já me cancelou há muito tempo.
Bom ressaltar que o problema não são os grupos litúrgicos.
É o pessoal que acha que todo os adeptos BDSM tem que seguir uma única liturgia que obviamente eles ajudaram a criar a mil anos atrás. Sim são descendentes seculares de sábios que trouxeram o livro da liturgia feito moisés descendo da montanha.
Por isso citei a Helga e o lindo encontro que tivemos no julgamento.
São experiências ricas e belas.
Mas os que eu digo aqui é fácil reconhecer:
Primeiro eles falam demais. Eles definem tudo tudo tudo dentro do BDSM.
O que é, o que não é, o que era pra ser…
Eles nunca falam de uma experiência pessoal exceto se for pra crescer no grupo
Porque o cara tem que ser o bam bam bam das histórias pra ter respeito dos “nobres”
Só o cara vir com essa de nobre pra cá, nobre pra lá já me deixa irritada.
Aquela que o Fernando Pessoa diz que nunca leva porrada.
O que é incrível porque há tantos percalços nos relacionamentos BDSM
Não é tão simples construir uma base sólida de segurança, confiança, respeito…
E pra ser uma relação forte mesmo tem que ter tudo isso.
Tem que ter confiança demais.
Tem que todo mundo se sentir seguro.
E esses aí acham que tem fila de mocinhas e mocinhos dispostos a abrir mão se suas vidas e de seus projetos pessoais para se entregarem ao nobre da vez.
É nisso que eles dizem que acreditam.
Mas não acreditam obviamente.
Eles não criam seus próprios rituais.
Eles trazem uma cartilha sobre o que cada um tem que fazer e como tudo vai se desenrolar.
E eles gostam de estar em grupos porque, claro, sem o grupo perde a graça. O grupo é mais importante do que os relacionamentos.
Mas não são só homens dominadores , não.
Essa visão de que só homens são babacas é errada. Tem mulheres também. E também não são só dominadores e dominadoras. Existem também submissos e submissas que tentam dominar/contaminar a relação com essas babaquices.
O perigo é a pessoa tentar se enquadrar pra ser aceita e ir aceitando regrinhas absurdas sob pena de ser excluída do tal clubinho. Quer dizer, eles são um clubinho mas não aceitam essa ideia. Na verdade, eles têm certeza plena de que representam toda a comunidade BDSM. E eles te convencem de que você estará fora do universo BDSM se não fizer do jeito que eles dizem, “o jeito certo”.
Mas não.. Eles representam no máximo os seus grupinhos.
Uma vez me convidaram para uma tal confraria e por mais inacreditável que seja, todos da lista que a pessoa me mostrou que faziam parte da tal confraria tinham histórias de abuso ou pelo menos algum drama escondido, inclusive o sujeito que estava me convidando.
E ele disse que o tal grupo estava sendo criado para ironicamente “livrar a comunidade de abusadores”. Aquela velha estratégia de acusar os outros do que vc faz, né?
Acredite: eu tô aqui há muito tempo e já vi muita coisa.
Preste atenção e se cuide.
Eu lembro um tempo em que isso de nobre era muito comentado. Eu até pedi à Vossa Majestade um título pelo menos de conde e Vossa Majestade nunca me agraciou… Mas pensei que isso tinha morrido junto com o Orkut.
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Eu sou a favor da autodeterminação. Eu sou Rainha por quê? Porque eu me acho!! rs
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