Eu falei do ex que foi corno.
E falei de como gosto do Roger ser corno.

Dois mundos diferentes.
O primeiro foi corno no pior sentido.
Acho que nunca soube.
Acho que soube.
Na verdade não faço ideia.
Mas acho que anos depois, quando a guerra já estava declarada, eu devo ter feito questão de falar sim.
Tipo jogar na cara mesmo.
Só de raiva.
Que eu não sabia fazer as trapaças financeiras e psicológicas que ele fazia mas em compensação ele era corno.
Só de má mesmo.

A ainda bem que eu tenho esse espírito.
De precisas das paixões.
De me alimentar delas.

A vida teria ficado insuportável se eu não tivesse essa ousadia.

Ah, eu sempre apaixonada.
Vivendo meus casos.
Nem era pelo sexo.
Eram o jogos, a conquista, a sedução…
Então inventava paixões.
Precisava delas.

Lembro do boy em uma empresa que trabalhei.
Discretíssimo. Uma vez teve greve de ônibus e lógico que me ofereci para levá-lo em casa.
Eu tinha um fusquinha muito meia boca. E lá fui.
Era o fim do mundo.
Eu morava no Brooklin e o cara morava sei lá São Miguel Paulista, Carapicuiba.
Era muito longe.

Ah me levou para um forró de bairro, chão de terra, sanfona.
Uns beijo na boca tão bom.

Adoro beijo na boca.

E chegava em casa, toda lambuzada, o outro nem acordava.
Roncava o estrupício.

Já Roger é corno delícia, corno manso, corno obediente.
É outra coisa.
Não há deslealdade.
Não há traição.

Nós temos uma conexão forte.

E a gente se diverte, ele segura minhas ondas.
Falo sobre os caras que me abordam.
Falo sobre uma nova paixão.
E eu me jogo nas paixões sem medo porque sei que tenho ele como rede de proteção.
Tá ali, pra me abraçar, me mimar.

Ele não. Não pode.
Porque eu sou possessiva e ciumenta.
Por isso nos encaixamos tão bem.
Ele é desprendido e generoso.
Eu não.

Aliás, temos um podcast sobre corno.
https://podcasts.apple.com/ca/podcast/bdsm-002-meu-corno-minhas-regras