Ela andava estranha naqueles dias. Todos os escravos queriam estar perto dela nesses dias. Os garanhões exibiam seus músculos, ofereciam-lhe prazerosamente o próprio dorso em sacrifício. Os mais frágeis arrastavam-se pelo chão, lambiam sorrateiros seus pés. Outros se instalavam no banheiro na esperança de servirem ao menos como privadas. A apatia em seus olhos congelava todo o reino.

Ela fez sinal para o marido e todos compreenderam que ele seria o escolhido naquela noite.

Ele banhou-se. Verificou se o corpo todo estava liso. Ela odiava pelos. Passou creme, agua de cheiro.

Sempre vestia-se como mulher porque era essa a lei para os maridos, feminizados desde a adolescência, mas queria agradá-la especialmente hoje. Espartilho preto, meias de seda 7/8, e também a saia nova preta, que ela lhe trouxera última viagem. Vestiu botas de cano longo. Maquiou-se cuidadosamente. A boca vermelha beijou o espaço. Olhou-se novamente no espelho e prometeu a si mesmo que a faria sorrir.

Entrou no quarto levando consigo uma bandeja com o pão e os quitutes que ele mesmo fazia e que ela tanto apreciava.

Ela olhava para o teto, o olhar perdido, magoado. Ele tocou-a suavemente, encostou-se na beira da cama para sustentar seu corpo frágil e abraçá-la enquanto ela beliscava mecanicamente alguma coisa na bandeja. Virou-se novamente, e ele compreendeu que ela não comeria.

Retirou a bandeja. Abraçou-a novamente e abriu o espartilho, oferecendo os pequenos mamilos. Ela os tomou primeiro entre os dentes. Mordeu. Ele contraiu-se de dor mas não ousou mover-se. Ela aconchegou-se mais e chupou e mordeu, e voltou a chupar. Como um bebê buscando leite. As vezes fazia sangrar.

Beijou-lhe a boca enquanto ansiosa invadia com as mãos ventre e coxas. Ele sentiu-se  indefeso. Sabia que o corpo não lhe pertencia. Como nada lhe pertencia há muito tempo.

Um sinal e ele começou a despir-se.

Despiu a saia com imensa graça. Ela sorriu pela primeira vez. Ele sabia que sorriria porque ela o ensinara assim. Gostava daquela timidez, e aquele sem-jeito que ele tinha. Afastou-se para vê-lo: espartilho, meias e botas. E o pênis ereto. Ele tentou esconder. Jamais se acostumara com aquele momento. Ela riu novamente. Dessa vez aquela risada gostosa. Disse algo sobre o dia que ele não vai mais ter aquilo…
Ele concordou com a cabeça.

Convidou-o a deitar-se ao lado dela. E empurrou sua cabeça até seu sexo. Erguia-lhe vez ou outra pelos cabelos e via seu rosto. Olhava-o com desprezo. Com raiva ainda. Mas não era raiva dele. Ele sabia. Era a raiva das coisas do mundo.

Cansada. Cedeu enfim. E puxou novamente seu rosto até que lhe chegasse a boca. Sentiu o pênis roçar seu ventre e pressionou seu corpo junto ao dele. Ele implora. Tem vergonha de ser levado ao gozo nesses trajes. Sempre implora. Ela para. Mas é pura sacanagem. Escorrega o corpo por baixo dele. Alcança os seios. Enquanto lhe acaricia as costas. O pênis soltando aquela gosma. Brinca de ir e voltar, e ele sente que lhe roça a pele. O pênis a ponto de explodir. Não dá tempo de implorar. Ele pega suas mãos e segura com firmeza. Aperta seu corpo junto ao dele. O pênis espremido entre os ventres. Ela se deixa levar. Movimenta-se para ele. Facilita. Ajuda.

Ele treme. E geme. Por fim, explode.

Cheiro de sexo. Ela brinca e espalha por todo o corpo. Nos seios. No rosto. Se lambuza.

Ele ri.

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