Um belo dia,  um Dominador bondagista de São Paulo,  novamente veio a Fortaleza, e aproveitou para visitar mais uma vez minha Dona, a Rainha Frágil.

Conversa vai, conversa vem e combinamos de irmos, numa bela noite, a um motel.  Além dele,  minha Dona e eu, iriam três amigas nossas – duas delas eram escravas – e um casal de amigos, Suzana e Marcelo (nomes fictícios para preservar suas identidades). Apesar da praia deles ser o “swing”, também curtem algumas práticas leves do BDSM.

Porém, no dia da tal grande noite, Suzana nos avisou que não poderia ir. Minha Dona a questionou, e ela justificou que é porque Marcelo também não poderia ir. Estranhamos, afinal o  marido não podendo sair raramente a impediu de sair sozinha. Questionada sobre isso, Suzana respondeu:

– É que o Marcelo tem ciúmes desse Dominador.

Ano passado, quando esse Dominador nos visitou pela primeira vez, ele nos demonstrou sua habilidade em imobilizar escravas usando cordas. Uma das “cobaias” obviamente foi eu. A outra, foi Suzana, que estava presente junto com o marido. Pelo fato do Marcelo ter sentido ciúmes um ano depois da visita, a tal ponto de impedir que sua esposa saísse com a gente, dá para perceber o quanto esse Dominador é bom com as cordas. E o quanto Suzana curtiu a experiência.

Aí, nessa hora quem ficou encafifado foi eu.

– Ô, Suzana, o Marcelo sabia que eu também vou ao motel?

– Sim, sabia.

– E ele não sente ciúmes de mim também não?

Marcelo e eu temos pouco contato, mesmo asim ele sabe vários aspectos de minha vida de escravo BDSM. Quando não é minha Dona que revela orgulhosamente em conversas, é ela que fofoca com Suzana, que depois fofoca com o Marcelo. Como alguns de nossos amigos mais íntimos, ele já sabe que curto ser humilhado, que apanho da Rainha Frágil, que ela controla a freqüência de meu gozo e que adora me vestir em trajes e lingeries femininos e me treinar feito uma escrava.

Ora caramba, ele até já me viu numa Profania (festa sado-fetichista que minha Dona e eu organizamos) feminizado de “aluninha fetichista” (o tema sugerido dessa edição era “Pátio do Colégio”).

Creio que, pelo fato do Marcelo conhecer tantos detalhes sórdidos sobre mim, Suzana respondeu de forma friamente sincera e assustadoramente natural:

– Não.

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