Sobre companheirismo e tudo que eu falo o tempo todo sobre cumplicidade e afeto.
Postei no facebook o mesmo que publiquei aqui sobre minha mãe e Roger complementou sobre como foi que decidimos juntos trazê-la para nós.

Não é tão simples assumir a responsabilidade de cuidar de uma pessoa de 98 anos. Mas Roger via a minha angustia, a vontade de cuidar dela.
Não sei se é a mulher que eu sou. Ou se é o homem que ele é.
Não sei se foram os papeis BDSM.
Não sei que leis do universo se moveram para que nos encontrássemos.

Tenho poucas relações com o mundo.
Já falei da fobia social né?
Sou fraca de intimidade.
Então meu universo somos eu e ele.
E meu filho que também é muito meu amigo.
São admiráveis!

No caso do Roger, foi mais do que consentir.
Foi tomar para si.
Foi estar junto pra valer!
Não tem preço.

“Lembro das vezes em que a Beth Andrade ficava desolada quando ligava para a mãe dela e esta dizia estar doente e às vezes não tinha ninguém perto. Em meados de 2019, quando já nos recuperávamos de uma crise financeira, começamos a planejar em trazê-la de São Paulo para morar aqui em Fortaleza com a gente.

Perto do fim do ano, a trouxemos para ficar uns meses, como um “test drive” para ver como ela se adaptava por aqui. Mal aguentou um mês: além de reclamar do calor, sentiu saudades das plantas no apê, dos amigos e dos parentes de lá.

Voltou para São Paulo e, mal chegando, já chorou de saudades da Beth e quis voltar pra cá. Começamos então a nos organizar para trazê-la em definitivo.

Começa 2020 e surgem as primeiras notícias de um vírus misterioso que estaria matando centenas de pessoas na Ásia: começou na China e se espalhou rápido pelo resto do continente. Em pouco tempo, chegou na Europa. Ficamos estarrecidos com o tanto de mortos diariamente na Itália.

Beth e eu ficávamos em negação: “Não, não vai chegar aqui no Brasil. Vai acabar antes!”. Mas, só por garantia, aceleramos os planos de trazer minha sogra. Quando o tal vírus chegou nos EUA, pensamos: “Temos que trazê-la AGORA!”.

Ela veio primeiro e as suas coisas vieram poucos dias depois. No mesmo dia em que ela pisou os pés aqui em Fortaleza, é detectado o primeiro ou segundo caso de covid no Brasil. Quando a transportadora trouxe as mudanças, não tivemos de coragem de abri-las imediatamente por causa do vírus (diziam que sobrevivia vários dias em determinadas superfícies). No terceiro dia é que desembrulhamos tudo.

Dois anos depois é que ela contraiu covid. Ainda bem que já tinha tomado todas as doses recomendadas e não sofreu tanto: três dias com uma febre de 37,5° (Eu, que ainda faltava uma dose para tomar, sofri mais: quatro dias de até 38°).

E pronto: vai fazer quatro anos que ela mora com a gente e continua vivinha.

(Isso por que teve parente de São Paulo que achou sério que ela não duraria muito tempo por aqui).”
Face do Roger